Jorge Araújo – Team Work Consultores
Quando investigamos o comportamento humano, é incontornável abordarmos o fenómeno relacional da INFLUÊNCIA. Quer a nível científico, como neuro científico ou filosófico, em tudo o que respeita aos seres humanos e sua relação uns com os outros, está comprovado que não só INFLUENCIAMOS como somos INFLUENCIADOS.
Tudo isto está hoje bem claro! O Comportamento humano é, em simultâneo, uma relação e uma experiência. Uma relação com tudo o que nos envolve, (pessoas, coisas, situações diversas, contextos diversificados, etc.).
Uma experiência porque exige uma determinada prática, (HÁBITO), que importa ser adquirida:
– porque diz quase sempre respeito a uma determinada regra social.
– porque favorece o desempenho quando em equipa.
Num caso, ou noutro, a respetiva aquisição desses HÁBITOS, obriga desde logo a uma profunda reflexão sobre a abordagem habitual destas questões.
Não se trata de aprender, (ter conhecimento), como fazer, mas sim de TREINAR e ADQUIRIR O HÁBITO respetivo. Necessitamos por isso mesmo experienciar as situações respetivas, “viver e sentir” tais experiências em diferentes situações, enquadramentos ou contextos.
No fundo precisamos treinar a situação real para a qual nos pretendemos preparar. Só assim teremos a possibilidade de adquirirmos os HÁBITOS respetivos.
Mas atenção! O Comportamento por vezes “acontece-nos” automática e inconscientemente. O que são afinal o “fenómeno das primeiras impressões”, as expressões súbitas de desagrado ou agrado, as reações de fuga perante o perigo? “ACONTECEM-NOS” na maioria das vezes sem controlo consciente!
Uma determinada pessoa ou uma situação surpreendente ou que coloca em risco a nossa sobrevivência, “desencadeia-nos” sentimentos ou emoções que nos “acontecem” inicialmente de forma inconsciente. Mas não só!
O que é alguém habitualmente designado como “tóxico”? Uma pessoa que, onde chega, por vezes sem ainda ter falado, “cria” quase de forma instantânea um habitualmente designado “mau ambiente”.
O que é uma pessoa dita “positiva”? Aquele, ou aquela que onde chega, cria “bom ambiente” (ambiente positivo), demonstrando comportamentos empáticos com aqueles que o rodeiam ou nas equipas de que fazem parte. Quanta influência mútua!
Acresce ainda que somos também influenciados no nosso comportamento por experiências anteriores agradáveis ou desagradáveis, vividas na relação uns com os outros.
Quando emitimos opiniões fazemo-lo quase sempre com base nas experiências que tivemos anteriormente. Nos hábitos, valores e crenças previamente adquiridos. Tal como quando estamos em equipa, necessitamos saber aceitar, ouvir e compreender aqueles que, como nós, pertencem a essa equipa.
O que é afinal uma Equipa?
Um conjunto de pessoas que interagem entre si ao serviço de objetivos comuns. Mas nas equipas cada uma das pessoas que as compõem tem as suas opiniões. Que defendem quanto possível assim como pugnam pela sua respetiva zona de conforto.
Outras defenderão objetivos comuns, sacrificando se necessário o seu bem-estar individual ao serviço do coletivo. Tal como muitas outras persistirão em querer impor os seus interesses particulares.
Mas um coletivo só é eficaz nos seus desempenhos face aos objetivos que persegue, quando cada um dos seus membros interage com os restantes ao serviço de objetivos comuns. O que implica a aquisição prévia dos hábitos de se preocuparem mais com os outros que consigo próprios, ou de cooperarem e trabalharem em equipa. Logo, só aceitando e incentivando a influência mútua se poderá verdadeiramente trabalhar em equipa!
Conclusão, somos influenciados e influenciamos, tal como já aqui o dissemos. Ao expressarmos determinados Comportamentos estamos sempre influenciados, (que experiências anteriores tivemos) e influenciamos, (que relação estabelecemos com a situação em causa).
Em síntese, simultaneamente:
– fomos influenciados pelas experiências sensoriais e motoras que tivemos até aquele momento;
-influenciamos o contexto ambiental em que em cada momento preciso o nosso Comportamento está a ser solicitado.
O que significa que de forma continuada e em simultâneo, o nosso comportamento está sempre relacionado com uma determinada (momentânea) situação ambiental e é sempre influenciado pela experiência que tivemos, ou não, dessa mesma situação.
Tal como assim acontece quando pretendemos potenciar o “Eu ao serviço do Todo”. Quando observamos algo e de imediato temos uma opinião formada, fazemo-lo mediante os valores, as crenças e as regras sociais adquiridas até então. Ou seja, a opinião que então formulamos acerca do que vimos e com que convivemos, representa simplesmente a “nossa verdade”.
Obviamente, “a nossa verdade” coincidirá ou não com “a verdade” daqueles com quem convivemos. Razão porque constitui um verdadeiro “desperdício” querer de imediato “ter razão” e tentar sobrepor a todos os que nos rodeiam o que consideramos como “a nossa verdade”.
Urge ouvir os outros, perceber quem interpreta a realidade envolvente de modo conforme com o nosso, estabelecer eventualmente objetivos comuns, cooperar sempre que possível, trabalhar em equipa, partilhar saberes. No fundo (e mais uma vez!) influenciar e “deixar-se” influenciar!
Idem quanto a Capacidade Criativa!
Para sermos criativos temos de previamente ter “aprendido a fazer, fazendo”.
Experimentando, vendo e aprendendo com outros, errando e aprendendo com os erros.
A capacidade criativa que alguns revelam, assenta principalmente numa razão.
Um “saber corporal” adquirido desde tenta idade por via do ensino e treino que alguns nos proporcionaram. Melhor dizendo, influenciaram!
Ainda algo mais!
Em cada equipa que treinei, “aconteceu” sempre um plano comportamental anónimo e inconsciente dos jogadores que não só se iniciava de modo intersubjetivo, como também influenciava as suas relações interpessoais. O que tornava relevante que investigasse que, sob os seus comportamentos, existiam sempre relações e influências anónimas, intersubjetivas, inter corporais e relacionais.
Vivi então a experiência de “estar em equipa” e dentro das minhas possibilidades contribuir para que cada uma dessas equipas fossem o mais inteligentes possível. Melhor dizendo que conseguissem, como um todo serem uma “Equipa Inteligente”. Mais tarde viria a perceber e a aprender que afinal, só emergiam “Equipas Inteligentes” quando eu como treinador assumia que toda aquela relação jogadores/treinador passava por uma continuada influência mútua!
Ainda o Treino e a formação.
Ao longo dos 28 anos de atividade como treinador na área comportamental, muito se especulou ao redor do porquê da nossa abordagem metodológica ter como base o treino, (atividades comportamentais) e não propriamente a formação, (abordagem de conhecimentos). Melhor dizendo, porquê preferenciarmos o que designamos como “aprender a fazer, fazendo”, (o treino), em relação à simples aquisição cognitiva de conhecimentos, (a formação). E ainda, porque razão insistimos tanto com a designada melhoria contínua, inclusive, persistindo na ideia que “quem não melhora, piora”.
Não é só o fato da aprendizagem comportamental dever decorrer segundo uma orientação prática, experiencial! Mas, principalmente, que também todas essas atividades devem estar associadas à vivência em equipa. Onde naturalmente todo o processo evolutivo depende de uma continuada influência mútua.